Internet de quantidade (parte I)
Computador em casa não é problema. O problema é ter em casa um computador. Família não cabe em um computador, por mais que a Positivo faça merchandising dos seus PC’s. Aliás, ninguém quer dividir o computador com outro e muito menos com os outros (aquele amontoado de gente dando palpite ao operador da máquina...). Assim como acontece há séculos com o livro de papel (a brochura, a leitura), o momento diante da máquina (seja para leitura, seja para operá-la) ou operacionalizá-la é individual. Por que você acha que os notebooks fazem tanto sucesso? Os interesses das pessoas diante dos computadores são muito diversos e sempre fica sobrando alguém insatisfeito em máquinas compartilhadas dentro do lar.
Suponhamos uma família relativamente grande e de classe “econômica”, com umas cinco pessoas: marido e mulher, mais três filhos em idade escolar. O primeiro transtorno da inclusão digital nessa família será o do tipo de conexão, porque em muitos casos ainda tem sido a pioneira banda estreita: a conexão discada e lenta. Mas esse quadro tem mudado, com a chegada de outras tecnologias de acesso bem mais rápidas e principalmente através da oferta de pacotes acessíveis ao poder aquisitivo para as "classes trabalhadoras". Mesmo assim, convenhamos que tudo continua muito caro em termos de acesso à tecnologia e à informação. É o que comprova a Pesquisa Sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação, de 2008*. De acordo com os dados colhidos, são caros tanto o computador, quanto a conexão à internet para os domicílios. O outro fator de impacto continua sendo a falta de habilidade do brasileiro com a tecnologia, considerada a principal barreira, segundo os entrevistados...
Continua no próximo post.
* DOS SANTOS, Rogério Santanna. Cresce o acesso às TICs, mas ainda é grande o desafio de democratizá-las a todos os brasileiros. In: CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil). Pesquisa sobre o uso das tecnologias da informação e da comunicação 2008. São Paulo, 2009, pp. 45-48.
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